quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A Trégua de Natal - Primeira Grande Guerra



O Trégua de Natal de 1914 ocorreu durante a Primeira Guerra Mundial. Na França, exércitos de milhões de soldados enfrentavam-se uns aos outros em desesperados ataques. Os alemães e os aliados viviam em frias e lamacentas trincheiras no solo, em linhas paralelas, com centenas de metros de arame farpado, e uma faixa de “terra de ninguém” entre eles. Cada lado golpeava o outro com milhões de quilos de bombas e gases venenosos. Dezenas de milhares eram feridos e mortos.





Ao descerem as sombras da noite de Natal, os homens pensaram com saudade no Natal em seu lar. E essa saudade os fez odiar ainda mais a horrível guerra que se travava. Ela parecia tão pecaminosa, comparada ao Natal. Repentinamente, à noite, a artilharia alemã parou de atirar. Os soldados aliados se perguntaram o que estaria acontecendo. O que os alemães estariam aprontando agora? Estariam se preparando para usar gases venenosos de novo, ou esse intervalo seria antes do ataque maciço?

Não muito tempo depois, os canhões dos aliados, na retaguarda, ficaram em silêncio também. Os soldados, nas trincheiras, aguardaram ansiosamente em meio à estranha calmaria que se abateu sobre a frente de batalha. Isso era tão estranho, após o grande ruído da artilharia, que os soldados falavam cochichando.








Alguns alemães colocaram árvores de Natal e algumas velas sobre as trincheiras e começaram a cantar cantigas de Natal. Os aliados viram então soldados alemães saírem de suas trincheiras sem qualquer arma. Pararam junto aos escombros próximos as trincheiras, tiraram seus capacetes e pediram uma trégua entre os fronts. Pasmados os soldados aliados aceitaram a oferta e também saíram de suas trincheiras e uniram suas vozes no maravilhoso hino de Natal.

Antes de terminarem, engenheiros de todos os lados estavam abrindo caminho no arame farpado . Momentos depois, soldados que haviam sido inimigos passaram através dos rombos abertos no arame.
De mãos estendidas eles se cumprimentaram como se fossem amigos que há muito tempo não se viam. Intérpretes ajudavam-nos quando possível, mas as diferenças linguísticas não pareciam ter importância.
Alegremente mostraram fotografias de familiares. Experimentaram os chapéus e capas uns dos outros, e riram de sua aparência. Então alguém sugeriu que deveriam dar presentes também.E, assim, eles voltaram apressadamente às trincheiras a fim de ver o que encontrariam. Os aliados trouxeram latas de doces e carne, e os alemães lhes deram salsichas e outros alimentos.






Os capitães de campo dos dois lados improvisaram um serviço religioso. E os soldados alemães e aliados celebraram juntos a Ceia de Natal.

Ninguém quis dormir naquela noite. A feliz comunhão continuou por dias, em alguns lugares durou até semanas.  Oficiais do alto comando não gostaram nenhum pouco dessa história e declaram pena de morte por traição, se a trégua continuasse, ambos os exércitos voltaram para suas trincheiras e aos poucos o ódio voltou e o terrível morticínio começou outra vez.







A trégua não havia durado muito! Mas valeu a pena e será sempre lembrada. Embora a “Trégua de Natal” hoje pareça um eco distante de uma época passada, estando nós mesmos vivendo num mundo em que os conflitos são alimentados por imensas diferenças culturais, fazendo com que tais tréguas se tornem praticamente impossíveis, ela permanece um símbolo de esperança. De fato, este talvez seja o mais importante legado desse episódio.

Filme que retrata esse marcante episódio entre guerras:




A Trégua do Futebol: A Guerra do Congo parou para ver Pelé jogar em 1969.

Desenrolava-se uma guerra fratrícida no antigo Congo Belga quando o Santos de Pelé, em digressão por África, se preparava para cumprir um acordo previamente assinado e disputar uma partida com a selecção local. Na inexistência de medidas de segurança mínimas, a direcção do clube santista ameaçou cancelar a partida e voltar ao Brasil. Perante a desilusão da população, surgiu uma decisão inusitada: as facções em conflito decidiram uma trégua para ver jogar Pelé. A equipa do Santos foi escoltada durante a sua estada e acabou por fazer dois jogos no país africano.

4 comentários:

Marcos SP disse...

Chega a ser surreal, você vê soldados acendendo cigarros para o inimigo, sorrindo e brincando... e depois voltam a se matar? wtf?

Marcelo Ballard disse...

O exemplo maravilhoso relatado na trégua de natal,mostra como somos imensamente capazes de práticar a trégua,a paz e fazer amizades , criando vínculos de afeto com nossos semelhantes. Somos seres humanos,somos capazes disso e só começar a práticar ter calma e paz.

Martinha disse...

Feliz Natal e Próspero Ano Novo para você e sua Família.
Que mensagem tão linda eu não conhecia esta história fiquei muito emocionada o meu coração tremeu de emoção que coisa mais linda? Que esses solgados fizeram? Muito lindo, muito lindo.

gersonmeira disse...

isso é a prova de que realmente existe um ser superior que está olhando todos nós... ou que está "dentro" de nós...

A trégua entre países em meio a guerra foi uma coisa tão fantástica.

O Filme é maravilhoso, confesso que no começo do filme e da história, quase desliguei a tv, mas dai, aparece um cantor e uma cantora de opera e aparece um padre que toca gaita escocesa e a coisa mudou... e foi um dos melhores filmes que já assisti em meio a guerras...
Mais dois filmes muito bom; O Império do Sol ... e o Menino do Pijama Listrado